| Prezados
Pais e Amigos(as), |
A
vida criou uma situação especial na história
desta Escola: iniciou-a com um ciclo de dezesseis anos
no qual ela definiu seu perfil básico, sob meu
comando. A seguir, prosseguiu num ciclo de três
anos com profissionais da Faculdade Católica.
E, agora, se prepara para outro. O que esperar desta
atual situação de retorno da Escola aos
seus fundadores?
Este retorno à
direção do seu projeto leva-me a assumir
compromisso com:
• A fidelidade
aos propósitos educativos que motivaram sua instalação.
• A continuidade
do desenvolvimento das principais metas nas quais vem
trabalhando desde o princípio e das quais sempre
extraiu o contorno educativo que lhe tem sido peculiar.
• A busca
de uma constante sintonia com os novos rumos sociais
e educacionais que lhe imprimem sua característica
de vanguarda, no entanto, sem perder de vista os valores
humanos universais.
• A definição
de um posicionamento mais claro acerca do desenvolvimento
da espiritualidade na formação de crianças,
pré-adolescentes e adolescentes, quesito fundamental
diante do mundo atual.
O espaço
de uma carta como esta é insuficiente para comentar
esses quatro compromissos. Por isso, penso fazê-lo
numa sequência de quatro cartas. O primeiro compromisso
citado segue comentado nesta e os outros em outras três,
a serem enviadas em 2009.
Se desejarem compartilhar
comigo suas opiniões, uma possibilidade prática
é entrar no seguinte endereço: www.escoladacrianca.com.br/olgalara.htm,
clicar em Perfil Profissional da Coordenadora Geral
da Escola e, a seguir, em Cotate-me.
Como poderão
ler no texto Histórico da Escola¹
que vem a seguir, os propósitos da fundação
da Escola estiveram em torno de sua vocação
de escola alternativa ao ensino tradicional. Esta vocação
não representava um movimento isolado, mas a
tornava parte dos anseios sociais de mudança
gerados, principalmente, pelas críticas ao ensino
nas primeiras décadas do século XX. Naquela
época, estes anseios foram respaldados, em grande
medida, pelas mudanças de concepções
filosóficas ocorridas no interior das ciências
e suas consequências no ensino. Tais mudanças
geraram o advento do construtivismo educativo.
De lá para
cá, como todos sabemos, muitas coisas aconteceram
nesse âmbito. Principalmente, podem ser enumerados
os acertos e desacertos associados à aplicação
do ensino construtivista e ainda às reformulações
pelas quais passou a própria escola tradicional
que, numa reação a severas críticas
sofridas, se modernizou, buscando novas adequações.
A Escola da Criança – Espaço de
Adolescer faz parte da história de acertos e
desacertos do ensino construtivista.
Entendo que o construtivismo
possui um significativo acervo nos resultados das principais
linhas internacionais de pesquisa que vieram se desenvolvendo
ao longo desse tempo² . Como todos nós sabemos,
a área da educação não tem
tradição em investigação,
mas sobrevive principalmente de modismos. Contrariamente,
defendo a persistência nos resultados obtidos
e o avanço. Mas meu posicionamento construtivista
não pretende nenhum purismo doutrinário.
Estou atenta às transformações
aceleradas do conhecimento. Aliás, o próprio
advento do construtivismo, no seu âmbito filosófico,
tem colaborado para a queda da concepção
de ciência que acredita nas descobertas científicas
como certeza e verdade.
Hoje, quase toda
comunidade científica mundial admite a ciência
como capaz de elaborar apenas verdades transitórias,
que se transformam com o tempo. Sendo assim, até
o fato da Escola persistir num construtivismo investigativo
a levará a admitir, de tempos em tempos, realidades
totalmente diferentes daquelas que admite agora. Baseando-se
nisto a Escola persistirá na pesquisa e construção
de seu próprio conceito didático. Isto
se dará a partir do embrião já
visível em suas instalações e nos
projetos levados a termo por seus(suas) estudantes e
profissionais. Este embrião, durante os primeiros
dezesseis anos, foi recriado continuamente com vistas
a dar suporte a ações que se adequassem
às necessidades de seus(suas) alunos(as) e professores(as).
Com o tempo ele deixará de ser apenas o embrião
de hoje e, ante a natureza transitória das verdades
científicas e às mudanças sociais,
continuará servindo de instrumento de ensino-aprendizagem,
porém sem nunca se dar por concluído.
Retomar os compromissos
iniciados dezenove anos atrás me emociona. Eles
se firmam nas mesmas bases, mas traçados em contornos
mais atuais, em coerência com a identidade de
vanguarda da Escola. Embora seja um enorme desafio dirigir
um trabalho educacional nos tempos de hoje, estou serena.
Tenho a certeza de que o que me traz de volta à
direção geral da Escola não é
outra coisa senão a vontade soberana de Deus.
Sei também que conto com o carinhoso apoio da
maioria das pessoas que se relacionam comigo e com o
bom nome que a Escola conquistou na cidade.
Quanto aos desacertos
do construtivismo educativo, concordo com Gil Peréz,
pesquisador em didática das ciências. Referindo-se
à fase inicial do modelo alternativo frente ao
ensino tradicional, ele ressalta que o saldo se torna
muito mais importante que os erros cometidos. Para ele,
foi através desses erros que se deu um genuíno
início do processo de inovação
e investigação sistemática na área
de educação, no qual permanecemos imersos
até agora³.
Para mim, a Escola
teve um lugar confortável em relação
a esses desacertos iniciais do construtivismo. Ela criou
uma saudável imunidade em relação
aos seus resultados. Teve a grata bênção
de construir para si a experiência de ousar mudanças
necessárias sem prejudicar seus(suas) estudantes.
A prova é a trajetória bem sucedida de
seus ex-alunos(as) nas instâncias posteriores
de ensino, incluindo os(as) que optaram por instituições
extremamente concorridas e possuidoras das formações
acadêmicas mais respeitadas do país.
Embalada por tudo
isso é que estou de volta. A experiência
de dois anos fora da Escola me traz renovada e carinhosamente
animada. Neste primeiro contato, agradeço por
elegerem a Escola da Criança –
Espaço de Adolescer como parceira e
me coloco à disposição para o que
se fizer necessário.
Que
Deus nos abençoe a todos!

¹
O site www.escoladacrianca.com.br apresenta um segundo
texto, mais extenso que o apresentado no presente material.
Se vocês querem ter acesso a mais informações,
acessem-no.
² Exemplos: o estudo das pré-concepções
dos alunos, principal linha de pesquisa internacional
na didática das ciências na década
de 80, estudo das pré-concepções
dos professores acerca da ciência, etc.
³ Fonte: Gil Peréz,
D. (1993). Contribución de la história y
filosofia de las ciencias al desarrollo de um modelo de
enseñanza – aprendizaje cómo investigación.
Enseñanza de las ciencias, 11 (2), pp. 197-212. |