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2ª Carta da Fundadora da Escola Voltar ao Índice - Apresentação

Uberlândia, setembro de 2009
Prezados Pais e Amigos(as),

      Em novembro próximo passado, no caderno de Apresentação do Manual de Matrícula 2009, numa primeira carta dirigida a vocês, citei que meu retorno à Escola me levaria a assumir quatro compromissos.
      Naquela oportunidade, comentei o primeiro e aqui me dirijo a vocês para comentar o segundo – a continuidade do desenvolvimento das cinco principais metas nas quais a Escola vem trabalhando desde o princípio e das quais sempre extraiu o contorno que lhe tem sido peculiar.
      Pois bem, a primeira meta da Escola consiste em abandonar a certeza da pedagogia do período de apogeu positivista. Assim, rejeita o uso de instrumentos didáticos estruturados, generalistas e reprodutores do acervo cultural da humanidade de forma estereotipada e metódica. Investe na criação e ensino de novos formatos para a linguagem escolar, que sejam voltados para o entendimento dos sistemas da vida como um todo e que criem instrumentos de análise de seus aspectos complexos.
       A segunda meta consiste em imprimir um modo de funcionar no qual seja criado um estado de descoberta permanente, em relação ao conhecimento. Modo este que provoque em seus professores e estudantes, movimentos ininterruptos do aprender, desaprender e reaprender, característicos da educação pós-moderna.
      A terceira envolve a montagem de um currículo cujo recorte tenha a alfabetização e desenvolvimento da escrita, leitura e interpretação de texto como carro-chefe. Também que apresente a alfabetização científica, através de uma seleção de conteúdos que a viabilize e, ao mesmo tempo, crie condições para que a imagem de ciência eleita para ser transmitida aos estudantes seja transparente.
      A quarta diz respeito ao estudo e montagem de estrutura específica para que as artes, a educação física e a informática não sejam vivenciadas no formato aprisionado de aulas, mas através de vivências naturais, inseridas nas necessidades cotidianas da Escola.
      Por fim, a quinta está associada à valorização do exercício de construção de si mesmo e da descoberta dos outros, dando ênfase aos encontros entre os indivíduos, realce das aspirações e seus significados mais profundos, enfatizando a relevância da compreensão de sentimentos e aspectos contraditórios como coragem, medo, solidão, formas de amor, consumo, poder, sorte, gentileza e respeito, relações entre as gerações, sentimento que as pessoas têm de que algo está faltando em suas vidas e sua relação com o Sagrado.
      Mesmo as metas transmitidas em linguagens formais, se são verdadeiras, estão firmadas também em sonhos sem limites. Às vezes, de tão grandiosos, nossos sonhos podem se tornar generalistas demais e se perderem nos espaços vazios do cotidiano da educação das novas gerações. Se isto acontecer, eles não serão de nenhuma ajuda.
      Por isso, é que, junto com as famílias, a maior das metas da Escola é, com suas ações, sonhar um futuro possível de ser alcançado (já sabemos que o futuro passeia todos os dias pelas nossas casas e pela Escola, através de nossos filhos estudantes, não é?).
Sendo assim, nossas cinco metas estão alicerçadas em igualmente cinco desejos:
      • Que cada um(a) construa muita garra para enfrentar a vida e, que sendo assim, escolha ser independente, entenda que bens que já foram encontrados prontos na família e na sociedade são sempre frutos do esforço de alguém; que desafios e barreiras para serem ultrapassados serão sempre inevitáveis e que o esforço para transpô-los produzirá força e confiança.
      • Que cada um(a) acredite em gestos simples e fáceis do dia a dia, como fechar torneiras, apagar luzes, controlar o tempo do banho, reciclar o lixo, confiando que eles podem fazer muita diferença para o bem-estar da Terra, embora às vezes possa haver a sensação de que se está praticamente sozinho(a) na empreitada.
      • Que cada um(a) esteja tão perto dos outros que o exercício da compaixão e do cuidado para com os doentes, os despossuídos e os abandonados seja maior que os privilégios do conforto material e do individualismo.
      • Que as relações cotidianas estejam de tal forma pautadas em princípios verdadeiros de bondade e justiça que nas futuras relações de trabalho, a ética da transparência e da honestidade o(a) levem a dizer “não” às vantagens embutidas em propostas tendenciosas por mais que esteja sob pressão.
      • Que o acesso à cultura dos relacionamentos descartáveis seja tripudiado de tal modo que não impeça cada um(a) de viver a experiência do amor verdadeiro, sonho do coração de Deus para os seres humanos. E, sendo assim, que a fertilidade da reprodução humana garanta novos nascimentos com metas igualmente passíveis de serem docemente sonhadas!

Atenciosamente,

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