| Um
dos principais núcleos da didática alternativa
é a construção de situações
de aprendizagem que sejam efetivas e motivadoras. Sendo
assim, é possível pensar novos cenários
educativos que vão além da sala de aula.
Paralelamente à aprendizagem formal que se efetiva
nas escolas, é possível estudar aspectos
do conteúdo que antes eram vistos apenas via
informação livresca.
O meio natural,
o patrimônio cultural – arquivos, bibliotecas,
museus, bens móveis e imóveis do passado
–, a sociedade e seu funcionamento – particularmente
a cidade onde se vive – e o universo virtual –,
inclusive os meio audiovisuais, podem ampliar os horizontes
dos alunos e colocá-los diante da vida sem que
fiquem apenas tendo informações sobre
ela.
Ver, escutar, sentir,
explorar, indagar, raciocinar e comprovar cria as condições
para a dialética entre viver situações
de fato e voltar ao conhecimento socialmente guardado
nos diferentes tipos de acervo formalizado.
O ensino tradicional
na sua versão mais antiga encerrou, exageradamente,
o professor no livro didático e na própria
exposição. Sua consequência foi
uma progressiva desconexão entre o contexto da
realidade e o que era aprendido. Na atualidade, principalmente
dentre os modelos alternativos de ensino, há
uma constante busca de processos de ensino-aprendizagem
que manipulam aspectos da realidade de maneira mais
ampla, compreensiva e significativa.
Dentre as alternativas
para que isso ocorra, estão situados os estudos
de meio. Estes pretendem ajudar os(as) estudantes a
perceber a relação entre o que ocorre
fora da escola e o que é discutido nela.
O estudo de meio
é uma atividade didática que favorece
o estabelecimento de relações ativas e
interpretativas. Apresenta o conteúdo a ser estudado
na sua forma bruta sem enunciados ou classificações
a priori. Isto favorece a aquisição progressiva
de uma visão questionadora sobre o próprio
mundo no qual se vive.
A Escola da Criança
– Espaço de Adolescer tem incluído
estudos de meio em suas preferências didáticas
desde o começo de sua prestação
de serviços. Na atualidade, suas propostas didático-pedagógicas
não prescindem desta modalidade de trabalho.
O acervo das atividades
que são utilizadas propõe estudos de meio
que envolvem seu próprio quintal privilegiado,
a área de vizinhança, o meio natural e
o patrimônio cultural da cidade onde está
instalada e os de outras cidades vizinhas e/ou de outras
regiões brasileiras mais distantes.
Nesse sentido, pequenas
“saídas” e grandes “viagens”
ganham a mesma importância como estudos de meio,
sendo que seu planejamento e execução
possuem o mesmo valor pedagógico. Entretanto,
enquanto as “saídas” podem ser totalmente
planejadas e executadas pela Escola, as viagens exigem
também um planejamento prévio por parte
das famílias. Em 2010, retomando as viagens,
estão estabelecidos os seguintes roteiros:
• 6º
ano: pequenas viagens de dois dias aos municípios
de Uberaba (sítio arqueológico de Peirópolis)
e na região do município do Prata (pinturas
rupestres e geografia do lugar), relacionadas aos conteúdos
de Geografia, História e Ciências.
•
7º ano: Ubatuba e Paraty, relacionada aos conteúdos
de Ciências, Geografia e História.
• 8º
ano: Curso de sobrevivência e “superação
de limites”, provavelmente na região de
Brotas – SP. (anteriormente viagem estabelecida
para o 9º ano).
•
9º ano: Em 2010, as turmas do 9º ano também
realizarão o Curso de sobrevivência e “superação
de limites”. Para 2011, está sendo planejado
um novo formato de viagem para as turmas do 9º
ano, que aproxime mais os estudantes de um trabalho
comunitário e social.
O resultado disso
tem sido, dentre outros:
•
A participação ativa de seus(suas) estudantes
na elaboração de seus conhecimentos.
•
A compreensão da natureza do conhecimento formal
e sua organização específica de
informações.
O
aprofundamento das relações interpessoais
entre professores(as) e estudantes e entre estes(as),
já que as situações das viagens
criam as condições para um maior conhecimento
mútuo.
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